ANIMA musica mundana humana et instrumentalis

O Grupo ANIMA nasceu no Brasil há trinta anos como resultado de reflexões sobre a interpretação musical e a memória musical brasileiras. A estrutura inicial do grupo teve como base o movimento de música antiga cujos princípios interpretativos norteiam até hoje o grupo, e foram ampliados e transformados através das múltiplas formações pelas quais passou, desde então.


ANIMA em sua formação atual, trabalha em colaboração artística na elaboração de seus espetáculos musicais com os músicos: Silvia Ricardino – harpa de trovador, pesquisa e arranjos; Paulo Dias – percussão, órgão portativo, pesquisa e arranjos; Gisela Nogueira – viola de arame, pesquisa e arranjos; Luiz Fiaminghi – rabecas brasileiras, pesquisa, arranjos, direção executiva e produção e Valeria Bittar – flautas-doce históricas, flautas indígenas brasileiras, pesquisa, arranjos, direção executiva e produção. Em seu projeto ENCANTARIA (2014-2018), ANIMA conta com a participação especial de Marlui Miranda – canto, arranjos, flautas indígenas brasileiras, percussão e pesquisa da cantora argentina Cecilia Arellano . Em seu novo espetáculo musical, MAR ANTERIOR, conta com a participação do ator e percussionista Ogã Leandro Perez e com o trabalho da artista plástica Rosana Paulino.

A partir de 1991, a rabeca brasileira assumiu papel central na formação do ANIMA, através do músico, compositor e pesquisador José Eduardo Gramani. Com a introdução desse instrumento originado na tradição brasileira rural de diversas regiões, ANIMA ampliou o âmbito da interpretação musical histórica e de seu repertório, adicionando ao instrumentário histórico europeu (harpa trovadoresca, cravo, organeto e flautas-doce), vozes e idiomas como os da viola de arame, da viola brasileira de dez-cordas, a percussão brasileira, a africana e do oriente médio e as flautas indígenas brasileiras.


Os espetáculos do ANIMA são o resultado de trabalho de pesquisa de interpretação baseado na música de comunidades não letradas, afastadas de centros urbanos no Brasil e na música da Idade Média e do renascimento europeus. O constante diálogo tecido pelo ANIMA entre a etnomusicologia, a musicologia histórica, a hermenêutica e o teatro contemporâneos, leva ao palco um roteiro musical onde se faz presente o tempo não linear, encarando o momento da apresentação e o palco como um espaço-tempo ritualizado, próprio para a realização musical em um sentido pleno. Sobre o palco a Idade Média e a Renascença européias encontram-se na música da tradição oral brasileira não urbana, ambas atualizadas nos arranjos musicais construídos pelos intérpretes e também propostos por integrantes do Grupo e convidados. O repertório é estruturado e alinhavado a partir de uma temática central em uma intersecção espaço-tempo-instrumentos, através de uma linguagem camerística onde está presente sobre o palco um diálogo constante entre passado e presente, cultura popular e cultura erudita.


Em 2010/2011 lançou o CD, homônimo ao espetáculo, DONZELA GUERREIRA, patrocinado pelo Selo SESC do Estado de São Paulo. O seu lançamento tem sido realizado em importantes festivais e salas de concertos de música antiga e de câmara: Tage alter Musik Regensburg, Alemanha; Feldkirchen Pfingstfestival, Áustria; St. Ambroix en Cevenne, França; Labeaume en Musiques, Ardèche, França; 41º. Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, Brasil e Festival “Rencontres Musicales de La Vallée de l´Alzette – RMVA”, Luxemburgo e Güldener Herbst Festival, Weimar, Alemanha; Festival INNOVANTIQUA, Winterthur, Suíça; Sala del Grecchetto-Biblioteca Sormani, Milão; Festival Virtuosi de Recife. Em 2013 lança o espetáculo musical ENCANTARIA, cuja première foi realizada no Festival INNOVANTIQUA, em Winterthur, Suíça.

Realizou o registro de seu trabalho também nos CD´s: “Espiral do Tempo”, vencedor do Prêmio Movimento de Música Popular Brasileiraano 1997 – na categoria melhor CD instrumental e do Prêmio APCAAssociação Paulista dos Críticos de Arte – na categoria melhor grupo de música de câmara, ano 1998; no ano de 1999, dentro das comemorações de 500 Anos do Descobrimento do Brasil, gravou e dirigiu o CD “Teatro do Descobrimento”, com concepção e direção da cantora Anna Maria Kieffer; “Especiarias”, vencedor do V Prêmio Carlos Gomes de música erudita, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, na categoria melhor grupo de música de câmara, ano 2000; “Amares”, no ano 2003; e CD e DVD “Espelho”, anos 2006 – 2008, patrocínio PETROBRAS.

Realiza turnês, apresentações e oficinas freqüentemente em salas e festivais direcionados à música de câmara, tanto no Brasil quanto no exterior: Milão, Regensburg-Alemanha, Feldkirchen-Áustria, St. Ambroix en Cevennes, Luxemburgo, Weimar, Winterthur, New York, Los Angeles, Washington D.C, Dallas, Santa Barbara, St. Louis, Portland, Miami, Ashville, Philadelphia, Calgary, Bogotá, La Paz, Santa Cruz de la Sierra, Sucre, Buenos Aires, Cordoba, Montevideo, Asunción, dentre outras.


ANIMA, após trinta anos de trabalho, gerou formas de ação emblemáticas de sua linguagem: - sobre o eixo comum das intersecções entre cultura popular e cultura erudita, música antiga e música contemporânea, mundo letrado e oralidade, todos os seus trabalhos são realizados através da colaboração artística entre os músicos para a elaboração e construção coletiva dos arranjos musicais e do desenvolvimento da temática dramático-musical, que permeiam toda a pesquisa e interpretação do repertório.

 

ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, toma emprestado o seu nome do livro, De Institutione Musica, do filósofo medieval Boécio (c. 480 – 526). Nesse texto Boécio descreve três tipos de música: mundana - a música do universo, responsável pela harmonia dos elementos celestiais e pelo equilíbrio na variação das estações da natureza; humana - a música dos homens, que permite a consonância entre a atividade incorpórea da razão com o corpo, além de manter as partes do corpo em perfeita adaptação; instrumentalis - a música instrumental, produzida pelos diversos instrumentos construídos pelo homem. ANIMA – princípio vital da alma; sopro.