ANIMA musica mundana humana et instrumentalis

ANIMA - musica mundana humana et instrumentalis - nasceu no Brasil há vinte anos como resultado de reflexões sobre a interpretação musical e a memória musical brasileira . A estrutura inicial do grupo teve como base o movimento de música antiga e a interpretação musical historicamente orientada. Esses princípios interpretativos norteiam até hoje o grupo, e foram ampliados e transformados através das múltiplas formações pelas quais passou, desde então.

ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, em sua formação atual, trabalha em colaboração artística na elaboração de seus espetáculos musicais com os músicos Marlui Miranda – canto, arranjos, flautas indígenas brasileiras, percussão e pesquisa; Sílvia Ricardino – harpa de trovador, pesquisa e arranjos; Paulo Dias – percussão, cravo, organeto, pesquisa e arranjos; Gisela Nogueira – viola de arame, pesquisa e arranjos; Luiz Fiaminghi – rabecas brasileiras, pesquisa, arranjos, direção executiva e produção e Valeria Bittar – flautas-doce históricas, flautas indígenas brasileiras, pesquisa, arranjos, direção executiva e produção.

A partir de 1991, a rabeca brasileira assumiu papel central na formação do ANIMA, através do músico, compositor e pesquisador José Eduardo Gramani. Com a introdução desse instrumento originado na tradição brasileira rural de diversas regiões, ANIMA ampliou o âmbito da interpretação musical histórica e de seu repertório, adicionando ao instrumentário histórico europeu (harpa trovadoresca, cravo, organeto e flautas-doce), vozes e idiomas como os da viola de arame, da viola brasileira de dez-cordas, a percussão brasileira, a africana e do oriente médio e as flautas indígenas brasileiras.

Os espetáculos do ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, são o resultado de intenso trabalho de pesquisa de interpretação baseado na música de comunidades não letradas, afastadas de centros urbanos no Brasil e na música da Idade Média e do renascimento europeus. O constante diálogo tecido pelo ANIMA entre a etnomusicologia, a musicologia histórica, a hermenêutica e o teatro contemporâneos, leva ao palco um roteiro musical onde se faz presente o tempo não linear, encarando o momento da apresentação e o palco como um espaço-tempo ritualizado, próprio para a realização musical em um sentido pleno. Sobre o palco a Idade Média e a Renascença européias encontram-se na música da tradição oral brasileira não urbana, ambas atualizadas nos arranjos musicais construídos pelos intérpretes e também propostos por integrantes do Grupo e convidados. O repertório é estruturado e alinhavado a partir de uma temática central em uma intersecção espaço-tempo-instrumentos, através de uma linguagem camerística onde está presente sobre o palco um diálogo constante entre passado e presente, cultura popular e cultura erudita.

Realizou o registro de seu trabalho nos CD´s: “Espiral do Tempo”, vencedor do Prêmio Movimento de Música Popular Brasileira – ano 1997 – na categoria melhor CD instrumental e do Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte – na categoria melhor grupo de música de câmara, ano 1998; no ano de 1999, dentro das comemorações de 500 Anos do Descobrimento do Brasil, gravou e dirigiu o CD “Teatro do Descobrimento”, com concepção e direção da cantora Anna Maria Kieffer “Especiarias”, vencedor do V Prêmio Carlos Gomes de música erudita, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, na categoria melhor grupo de música de câmara, ano 2000; “Amares”, patrocinado pelo Grupo REDE de energia elétrica, no ano 2003; e CD e DVD “Espelho”, anos 2006 – 2008, ambos patrocinados exclusivamente pela PETROBRAS.

Realiza turnês, apresentações e oficinas freqüentemente em salas e festivais direcionados à música de câmara e à “world music”, tanto no Brasil quanto no exterior. Obteve em diversas ocasiões o apoio do Ministério das Relações Exteriores para turnês realizadas em cidades como: Milão, Regensburg, Saint Ambroix em Cevenne, New York, Los Angeles, Washington D.C, Dallas, Santa Barbara, St. Louis, Portland, Miami, Ashville, Philadelphia, Calgary, Bogotá, La Paz, Santa Cruz de la Sierra, Sucre, Buenos Aires, Montevideo, Asunción, dentre outras.

 

ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, após vinte anos de trabalho, gerou formas de ação emblemáticas de sua linguagem:

  • Sobre o eixo comum das intersecções entre cultura popular e cultura erudita, música antiga e música contemporânea, mundo letrado e mundo iletrado, todos os seus trabalhos são realizados através da colaboração artística entre os músicos para a elaboração e construção coletiva dos arranjos musicais e do desenvolvimento da temática dramático-musical, que permeia toda a pesquisa e interpretação do repertório;

  • A criação de uma abordagem de interpretação musical enquanto arte-presencial e ato-cênico;

  • A criação de um sistema independente de auto-gestão na produção de seus espetáculos, CD´s, DVD´s e demais projetos, através da empresa de gestão cultural AnimaMusica.

ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, toma emprestado o seu nome do livro, De Institutione Musica, do filósofo medieval Boécio (c. 480 – 526). Nesse texto Boécio descreve três tipos de música: mundana - a música do universo, responsável pela harmonia dos elementos celestiais e pelo equilíbrio na variação das estações da natureza; humana - a música dos homens, que permite a consonância entre a atividade incorpórea da razão com o corpo, além de manter as partes do corpo em perfeita adaptação; instrumentalis - a música instrumental, produzida pelos diversos instrumentos construídos pelo homem. ANIMA – princípio vital da alma; sopro.